O terreno, localizado no centro histórico de Braga, é constituído por várias parcelas devolutas, algumas em avançado estado de degradação e outras onde permaneciam apenas, e parcialmente, as fachadas. Delimitada por três ruas de carácter diverso, a área de intervenção apresenta uma envolvente heterógena: a Rua de S.Vicente, com edifícios do séc.XIX; a Rua Júlio de Lima e o Palacete, conjunto edificado no fim do séc.XIX e início do séc.XX; a Rua Gabriel Pereira de Castro, com edifícios recentes, de características e escalas distintas das anteriores.
A construção proposta, organizada em dois edifícios, implanta-se à face das ruas que delimitam o terreno de modo a dar continuidade à frente urbana. No interior do quarteirão localiza-se a área exterior ajardinada. O volume de construção é constituído por rés-do-chão mais dois pisos, contando ainda com um piso superior recuado e com tratamento diferenciado, permitindo um enquadramento na escala das ruas envolventes. Abaixo da cota de soleira, existem dois pisos de cave, destinados maioritariamente a áreas de serviço e estacionamento.
Apesar do programa de serviços apontar para uma solução repetitiva – atendendo às soluções construtivas e às exigências das entidades envolvidas no futuro funcionamento – nas frentes voltadas para a Rua de S. Vicente e Júlio de Lima, cumpre-se a exigência da CM Braga na reprodução de fachadas existentes. Mantém-se a diversidade que caracteriza as ruas, assim como a leitura da métrica do cadastro existente, reconstruindo-se as fachadas com utilização dos seus elementos mais notáveis em cantaria de granito. Nos tramos de fachada nova, a métrica dos vãos, as varandas, os elementos arquitéctónicos, decorativos e plásticos permitem uma leitura de continuidade com a envolvente.








